Há muitos preconceitos rondando o envelhecer. A psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do Ideac, diz que a maior parte das ideias não corresponde aos fatos: “Há muitos preconceitos errôneos colocando o velho para baixo.

Eu gosto de dizer que eu sou velha. E quando eu digo me enxerguem como uma velha eu sei que na cabeça e no coração começam uma série de julgamentos negativos por conta dos pensamentos que temos a respeito do velho. Os velhos estão aumentando e a expectativa de vida também. É preciso pensar o que vamos fazer com todo esse tempo de vida”.

Para ela, o problema maior é que o próprio velho tem preconceito contra o velho. “Isso não é engraçado, isso é triste. Por exemplo, o velho diz que não vai namorar ou viajar sozinho porque é velho, mesmo que tenha as condições físicas, emocionais, cognitivas. Vai, vive, vai no que de melhor a vida pode trazer, não deixe de fazer as coisas, sempre com bom senso. O corpo sofre com o passar dos anos, é onde esse passar se mostra com mais vivacidade, mas isso não quer dizer doença. Velhice é uma coisa, doença é outra. Criança e jovens também ficam doentes. Claro que a probabilidade de ter mais doenças aumenta com a idade.

O psicanalista norte-americano James Hilman diz que a principal patologia da velhice é a nossa ideia da velhice. Portanto, mude sua ideia e viva a velhice com sabedoria, dignidade e sem medo. Cuide do corpo, do espírito, das relações sociais e faça da sua velhice uma boa velhice”, complementa Maria Celia.