Maria de Lourdes M. O. Junek

Psicóloga formada pela Universidade Santo Amaro, consultora em trabalhos de preparação para a aposentadoria. Presta atendimento clínico a idosos.

Sexualidade e envelhecimento

Sexualidade e envelhecimento

Por razões de trabalho, não pude frequentar regularmente as reuniões de terça-feira durante este ano, e senti falta de estar presente, compartilhando, aprendendo, refletindo, no Grupo de Profissionais para Estudos e Reflexões sobre a Maturidade, do IDEAC. Entretanto, sempre me informava dos textos que estavam sendo discutidos, e os lia. Assim, aprendi bastante, mesmo porque esse é um tema a que muito pouca atenção foi dedicada quando cursei Psicologia. Aproveito para fazer uma síntese das ideias que me ficaram. Vários fatores influenciam na qualidade de vida nesta fase da maturidade.

 

Temos a saúde física (com inúmeras sub-áreas), a saúde mental (idem), a saúde emocional (igualmente com muitas facetas), os conceitos religiosos, a formação intelectual, a disponibilidade da pessoa para se atualizar, o auto-conhecimento tanto na esfera da mente como do corpo, o grupo social no qual está inserida, as necessidades individuais, a flexibilidade imprescindível para se fazer adaptação às mudanças, as transformações da sociedade que aparecem acontecer cada vez mais rápidas, as muitas ramificações do mercado de trabalho, a competitividade da mulher com o homem nesse mercado, o acúmulo de funções (domésticas e de trabalho formal) que em geral assoberba a mulher. E além de tudo isso, com igual importância, temos a sexualidade, uma dimensão humana que é parte de sua necessidade vital, com frequência, principalmente para a mulher, altamente associada à afetividade, e que é fonte de preocupações diversas – no homem que envelhece, é marcante a preocupação com o desempenho físico, por exemplo.

 

Ligados ao envelhecimento e à natural redução dos hormônios, a mulher passa pelo término de seu período fértil, e o homem pela redução da fertilidade e modificações na função erétil – as turbulências da menopausa e da andropausa, para os quais a ciência já oferece recursos externos, farmacológicos, que ajudam a contornar as dificuldades físicas, bem como a psicologia já se interessa em buscar formas de dar apoio emocional. Pessoas que, enquanto adultos jovens, priorizaram os valores externos e a aceitação social em detrimento de processos reflexivos tendem a ter dificuldade para lidar com o próprio envelhecimento; a beleza, um dos componentes mais evidentes na juventude e mais importantes para algumas pessoas jovens, e também um dos ingredientes mais valorizados na esfera da sexualidade, passa por um processo de transformação,

e se o idoso quiser competir com o jovem em pé de igualdade em relação a isso, ele de saída já estará perdendo. Esse é um dos exemplos da necessidade de compreender que a vida passa por uma série de etapas, cada uma diferente da outra, e que só quem tem flexibilidade para se adaptar a cada nova etapa pode usufruir com qualidade de cada uma delas.

 

Na nossa sociedade de hoje começa uma mudança de visão e atuação social, em direção aos idosos ocuparem espaço diferenciado, o que não ocorria em gerações anteriores, quando eram desvalorizados e marginalizados em nome de uma incompetência e incapacidade de lidar com as questões da vida como adultos. A atual geração de idosos está aprendendo por si a viver essa etapa sem usar o referencial de gerações anteriores, que não lhes serve mais, e está construindo um novo modelo para viver o envelhecimento, a sexualidade incluída.

 

 

 

Maria de Lourdes M.O. Junek

dezembro/2010