Nesse Setembro Amarelo, mês dedicado à Prevenção ao Suicídio, é importante abrir espaço para o tema. Os números revelam que estão crescendo os casos de suicídio entre idosos no Brasil e entre 1980 e 2012, o aumento foi de 215,7%. Para especialistas, acúmulo de perdas e isolamento social estão entre as motivações para o ato extremo

 Segundo o Ministério da Saúde, a média no Brasil foi de 8,9 suicídios por 100 mil entre idosos com mais de 70 anos entre 2011 e 2016. Em 2017, o Ministério da Saúde lançou o primeiro boletim epidemiológico sobre o suicídio no Brasil, que apontou um aumento na taxa geral – de 5,3 por cem mil indivíduos em 2011 para 5, 7 em 2015 e estabeleceu como meta reduzir em 10% a mortalidade por suicídio até 2020. 

De acordo com a organização, uma pessoa se suicida a cada 40 segundos, no mundo. Número que, conforme destaca o relatório, não representa fielmente a realidade, já que, para cada morte devidamente registrada, há muitas outras tentativas e óbitos que não chegam a ser contabilizados como suicídios.

Esse tema faz parte do livro “Velhice, uma nova paisagem” (Ed. Ágora), da psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do ideac. Segundo ela, pensamentos sobre morte – a própria ou a dos outros – quase sempre acompanham os estados depressivos: “Na depressão leve, também conhecida como distimia, a ideia de morte aparece como algo a ser temido e evitado, algo não desejado. Em depressões profundas, pode se transformar num querer morrer, havendo risco efetivo de suicídio. A pessoa com uma depressão profunda não se importa com mais nada, não vê razões para permanecer vivendo. Talvez isso esteja relacionado à morte de parentes e amigos, mas há outros fatores causadores, sociais e emocionais”.

Por vezes, não se consegue identificar nenhum fator externo que justifique a instalação de uma depressão ou a ocorrência de um suicídio. É importante saber dessa tendência. De um lado, a própria pessoa em depressão pode evitar ocasiões e meios que favoreçam o suicídio; de outro, os que convivem com ela tomam cuidados específicos para evitá-lo – não deixando a pessoa só, afastando objetos perigosos, protegendo janelas, por exemplo. 

Os familiares e os médicos de pacientes idosos devem estar atentos aos sintais. Para diagnosticar a depressão maior, Maria Celia revela que os profissionais, além do exame clínico, utilizam um roteiro que indica que, ao menos por duas semanas consecutivas, pelo menos cinco desses sintomas tenham se instalado: 

Humor rebaixado (sentir-se triste, vazio ou chorão). 

Perda marcante do prazer ou do interesse em atividades de rotina

Mudança no padrão de apetite (comer muito pouco ou de forma excessiva).

Distúrbios do sono (insônia ou excesso de sono). 

Agitação motora ou grande diminuição na movimentação normal. 

Falta de energia/fadiga durante todo o dia. 

Sentimentos de inutilidade, culpa e baixa autoestima. 

Diminuição na capacidade de se concentrar, raciocinar ou decidir. 

Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.