De acordo com pesquisas recentes, a ação de tirar a própria vida parece ser mais comum entre a população mais velha. Segundo o Ministério da Saúde, cinco suicídios a cada 100 mil brasileiros de qualquer idade, mas entre os idosos este número sobe para sete.

Justamente por conta desses números, é preciso muita atenção aos sintomas de depressão apresentados por pessoas mais velhas. Tristeza, isolamento e melancolia às vezes são encarados pelos familiares como naturais no envelhecer, mas isso não é verdade. “A depressão pode e deve ser tratada – o que se faz com antidepressivos, que atuam no cérebro, e com psicoterapia, que atua no emocional”. Quem faz esse alerta é a psicóloga Maria Celia de Abreu, coordenadora do ideac e autora de “Velhice, uma nova paisagem” (Ed. Ágora). “Os antidepressivos só podem ser indicados por um médico, de preferência psiquiatra, que os estuda e conhece mais a fundo que médicos de outras especialidades. O diagnóstico deve ser feito por um profissional, psiquiatra ou psicólogo, que estuda o assunto e tem treinamento para realizar as distinções necessárias e para encaminhar a pessoa para o tratamento mais adequado. Alguns critérios objetivos, como citamos, facilitam o diagnóstico, mas cada caso é um caso.”

Às vezes, o próprio indivíduo – com mais frequência os que convivem com ele e o observam – levanta a hipótese de depressão. Não é fácil conviver com a pessoa que tem o distúrbio, pois ela é pesada, negativa. Porém, ao criar um ambiente de leveza, luz e alegria, jamais abrindo mão da esperança, os familiares aumentam a motivação do paciente de se tratar e vencer o distúrbio. “O papel principal da família é incentivar a busca de ajuda e acompanhar a adesão da pessoa ao tratamento. O deprimido pode não ter ânimo para fazê-lo por si só, pois não dispõe de reserva de energia – e também porque não acredita que possa voltar a ser o que era. Não se brinca com depressão, pois muitos aborrecimentos secundários podem derivar dela. Além disso, existe tratamento profissional para combatê-la.”

Sugestões

Como prevenção e como coadjuvantes do tratamento, Maria Celia recomenda algumas medidas:

1.    Andar a pé, uma medida excelente;

2.    Meditar regularmente, de preferência todo dia;

3.    Práticas que favoreçam o desenvolvimento da consciência corporal, como lian gongtai chi chuan, ioga, harmonização do corpo sensível e qualquer estilo de dança, seja de passos folclóricos, danças circulares, de salão, sapateado etc.; fazer um esporte, como natação ou hipismo, de preferência que obrigue a exercícios aeróbicos;

4.    Abolir a meia-luz e substituí-la por ambientes com claridade; tomar sol; encher o ar de músicas alegres, cantando junto, de preferência dançando também; nas roupas de corpo, nos lençóis e toalhas cotidianos, nos alimentos e sucos que vão à mesa e nas flores da sala devem-se evitar tons tristonhos, como branco/preto/cinza, marrom, azul-marinho. Amarelo, verde cítrico, vermelho, laranja e azul-índigo são cores indicadas;

5.    Busque acumular o máximo de informações sobre a depressão, além de conversar muito sobre ela e sobre as propostas para combatê-la. Se você está numa guerra, precisa de munição!