Por Maria Celia de Abreu – Coordenadora do Ideac

Tempo é um conceito que faz um velho do começo do século XXI pensar… e provavelmente não chegar a nenhuma conclusão definitiva!

Buscando se aprofundar no tema do tempo, nosso velho pode, por exemplo, retroceder a primeira metade do século XX e ler O Ser e O Tempo, do filósofo alemão Martin Heidegger. Pode recuar muito mais atrás no tempo para recorrer à mitologia grega e conhecer suas duas referências ao tempo, Kairós e Chronos. Pode assistir ao show de abertura do campeonato de beisebol na Coreia do Sul, em maio de 2019, maravilhar-se com o dragão virtual que sobrevoa o estádio graças a 5G ( quinta geração)  e tecnologia de AR (augmented reality – realidade aumentada) e concluir que os limites para a tecnologia virtual são inimagináveis hoje, portanto, não tem como saber sobre como será isso no futuro.

Entretanto, nosso velho pode também refletir sobre a frase abaixo, aparentemente tão singela, e talvez nela encontre verdades com as quais se identifica, verdades que falam diretamente a como ele se sente em relação ao tempo, ou melhor, aos tempos: o de fora e o de dentro.

“Assim, os corações generosos, que não explicam, mas fazem as suas escolhas, não estão impedidos nem bloqueados. E quando não é o sentimento que conta, ou não é “só ele” que conta, o próprio coração abre espaço para o pensamento.

E o coração dá tempo ao tempo.

Tempo de fora e tempo de dentro.

Assim, o tempo de fora separa as pessoas no espaço aberto pelas circunstâncias da vida e o tempo de dentro abre espaço para uní-las em outras circunstâncias.”

Ana Negrini

Nossa Senhora do Café. História e Devoção no Brasil. São Paulo, SP: Edições Loyola, 20