Por Ivani Cardoso (*)
Não me lembro qual foi a primeira vez em que me percebi como velha. Acho que são pequenas mudanças chegando aos poucos e que um dia ficam enormes. E foi bem difícil aceitar, eu confesso. Parecia que o rosto no espelho não era o meu, as roupas que eu gostava não se encaixavam mais no meu corpo, o que eu sempre fiz não servia mais. E toda a energia se transformou, para pior.
Nem gostava de ler ou falar sobre o assunto. Eu e muita gente. Dá para entender quem prefere passar longe e fingir que está tudo normal. Bem-vindo ao clube, a maior parte das pessoas também pensa assim. Mas será que ignorar é melhor?
Não é, mesmo. Melhor é buscar novos hábitos e atitudes para lidar com as mudanças. Melhor é ler para aprender sobre essa fase que cedo ou tarde vem. Melhor é trocar experiências com quem já viveu ou está vivendo o mesmo que você.
Desde que comecei a frequentar há cerca de 15 anos o Grupo de Reflexões do Ideac, de São Paulo, coordenado pela psicóloga Maria Celia de Abreu e formado por profissionais de várias áreas que estudam o envelhecer, tudo ficou mais leve. O engraçado é que muitos amigos da mesma idade não se conformam e me questionam para que perder tempo com um tema tão desinteressante. Tento explicar, em vão.
Esses encontros representam uma rica troca de informações, bagagens, visões e propósitos de vida diferentes. Em comum, a vontade de aprender e estudar. Material não falta. Envelhecer está na moda. Há muitos livros, filmes, peças de teatro, teses de mestrado sobre o tema. E o mais importante é perceber que velhice não é só para quem passou dos 60. Velhice é para todos. É para pais, filhos, netos; para profissionais de saúde que lidam com velhos no seu cotidiano; para empresários que desenvolvem startups para esse público; para arquitetos que projetam residências mais seguras; para estilistas que criam roupas adequadas e confortáveis que atendem à necessidade de um público que consome e quer ampliar sua voz.
E velhos sobram por todos os cantos. O Censo 2022 do IBGE registrou 203 milhões de habitantes no Brasil. Os idosos, os que têm mais de 60 anos, correspondem a pouco mais do que 15% desse total – cerca de 32 milhões de pessoas. Com o passar dos anos, essa proporção entre velhos e jovens vai aumentar, e rapidamente.
Esses números provam que é preciso, sim, falar de velhice. Como é preciso falar de morte, de cuidados paliativos, de doenças que afetam o corpo e a mente. Há muitas janelas abertas para inúmeros assuntos para abordar, como prevenção de doenças, atividades que trazem bem-estar, sugestões para reforçar laços familiares e de amizade, autocuidado, buscar formas para não ser um velho chato, rabugento e solitário, além de dicas culturais.
(*) Ivani Cardoso é escritora e jornalista
(Foto Jader Andrade)






Quanta verdade em seu depoimento! Sem adoçar a pílula você se revela. Obrigada por compartilhar.
Obrigado Cleide pelo comentário, abraços
Ivani, sou a mais velha das mulheres de nosso do nosso grupo de Reflexões do Envelhecimento. Ao ler seu texto senti orgulho! Como foi bom ter a coragem de assumir sou VELHA! Graças as nossas leituras, reflexões, encontros com amigos da mesma faixa de idade. Parabéns amiga.
Pois é Lucy, nosso grupo abriu olhares sobre nós. Abraços
Começamos a envelhecer quando nascemos.
É verdade, e é uma lição para toda vida. Abraços
Obrigado pelo retorno, abraços
Texto gostoso de ler, feliz na abordagem do tema!
Que bom que gostou, você é parceira do Ideac há tempos, abraços
Obrigado Bel, pelo retorno, abraços
Ivani seu texto que conta sua experiência, vai de encontro a experiência de muitos. Lindo!
Valeu Marli, você está sempre presente no Ideac, abraços
Com certeza, é assunto para refletir e se falar a respeito, nas rodas, nas famílias e com todos…
O valor de um texto é quando ele provoca reflexões, abraços
Adorei conhecer seu blog, tem muito artigos bem interessantes.
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Que bom que gostou, ficamos muito felizes com seu retorno, abraços
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Que bom que gostou, abraços