(*) Maria Celia de Abreu
Até há pouco tempo, envelhecimento era um assunto a ser evitado, ignorado ou negado. Como comecei a me interessar por ele lá atrás, em 1991, vivenciei muitas situações desagradáveis ou pelo menos curiosas, em relação a isso. Quando eu trazia o assunto à baila, as pessoas tentavam me convencer de que não cabia conversar sobre ele, desviavam o assunto, ou simplesmente se retiravam; houve uma vez em que pedi para uma colunista escrever sobre ser velho (nem se deem ao trabalho de adivinhar o nome, era já uma senhora madura, e faleceu há muitos e muitos anos), e ela foi bem explícita, firme e um pouco ríspida comigo: “Faça-me o favor! Não quero que associem meu nome a esse negócio de velhice. Tenho uma boa reputação profissional”. Agora, em 2025, porém, é quase moda falar sobre envelhecimento, velhice e longevidade. Foi uma modificação bem rápida.
Está sendo uma mudança na fala, na menção ao tema, não necessariamente acompanhada pelo fim do medo e do preconceito. Talvez não houve tempo para isso. Só a busca honesta e, convenhamos, cansativa de dados sobre as muitas faces do envelhecimento, de preferência informação derivada de pesquisa, aliada a uma reflexão incansável sobre as suas dificuldades, é que podem acabar com esse medo e esse preconceito, historicamente arraigados entre nós.
A ênfase com que as ciências têm se debruçado sobre o envelhecimento, buscando compreendê-lo e, eventualmente, intervir sobre ele, se intensificou só na metade do século passado; e vem aumentando cada vez mais. Já as primeiras reflexões sobre o envelhecimento são encontradas em textos da Antiguidade, de filósofos que viveram antes de Cristo. Há muito material a ser conhecido, antes que se emitam opiniões e que se adotem falsas crenças. Aqueles que estudam ou pesquisam o envelhecimento, seja porque trabalham com velhos, ou para velhos, ou porque eles mesmos são velhos, ou ainda porque querem se preparar para uma futura “bela velhice” (estou emprestando uma expressão usada por Mirian Goldenberg), têm muito o que absorver antes de se posicionar.
Foi pensando nessas pessoas que criei o curso Conceitos, Preconceitos e Fatos. Gostaria de oferecer a elas um arcabouço, um esqueleto, que organize e dê sustentação às suas ideias, dentro de uma sequência e sob uma forma que não é encontrada, até onde sei, em cursos universitários, nem mesmo de Gerontologia, Psicologia ou Medicina. Buscar qualidade para a vida das pessoas mais velhas, combater a desinformação e o idadismo, passar adiante dados corretos e atualizados sobre o envelhecimento, compreender como se dá o fenômeno do envelhecimento, têm sido um norte para minhas escolhas e meu desempenho profissional, e este curso online está alinhado com esses propósitos.
Começo o Conceitos, Preconceitos e Fatos conceituando termos que podem ter interpretações diversas: velhice e envelhecimento; converso sobre o uso da idade cronológica para classificar pessoas como velhas; insisto na heterogeneidade presente nos grupos de idade mais avançada. Ofereço dados estatísticos como um forte argumento para se entender que estamos vivendo a “revolução da longevidade” (expressão insistentemente usada por Alexandre Kalache). Localizo a produção das ciências dentro do tempo histórico da humanidade, e dou exemplos, dentro da área da Psicologia, que deixam claro que as hipóteses e os resultados da produção científica são condicionados pela época histórica, pela realidade geopolítica; isso inclui uma interessante troca de informações e de preocupações entre cientistas de diversas áreas do conhecimento. Para finalizar, apresento dois pensamentos da Psicologia do século XX, um norte-americano e outro europeu, e o que têm a dizer sobre o envelhecimento.
Imagino que quem levar a sério o meu curso Conceitos, Preconceitos e Fatos vai aprofundar a percepção de como ele próprio se posiciona em relação ao envelhecimento, e aguçar seu senso crítico, tornando-se mais realista. Vai também se sentir mais capacitado do que antes para investir numa qualidade de vida melhor durante o envelhecimento, que pode tanto ser de outras pessoas, como o próprio. Espero que o curso seja uma gotinha de água para que o meu “aluno” se sinta estimulado a ir atrás de mais conhecimento sobre o tema, buscando ativamente outras fontes de informação, e que encontre oportunidades de conferir suas reflexões sobre o envelhecimento com outras pessoas interessadas, para que essa aprendizagem seja significativa e faça diferença em sua vida.
Sem nenhuma modéstia, como você já deve ter percebido, ainda espero que percorrer as seis aulas do curso, fazendo as atividades solicitadas de tempos em tempos, seja um percurso prazeroso – como foi prazeroso para mim o caminho de organizar o conteúdo, procurar uma forma de apresentá-lo e, ao final de tudo, gravar os vídeos.
Com o leitor deste artigo, e com quem se dedicar ao Conceitos, Preconceitos e Fatos, compartilho meus sonhos, pretensiosos, e a todos envio meu afeto.
(*) Dra Maria Celia de Abreu é psicóloga, professora universitária e autora de vários livros, entre eles, “Velhice, uma nova paisagem”. Ela é coordenadora do Ideac.
(Foto Jader Andrade)
Quando é o curso Maria Celia?
O curso é online e em seis vídeos e está disponível no Canal do YUoutube do Ideac: O novo da velhice. Você entra no Youtube, pesquisa o canal e encontra lá esses e outros vídeos de cursos excelentes, e de graça. Abraços
Maria Célia você traz as aulas de seu curso esclarecendo o percurso seguido pelas aulas.
Volto a afirmar , assisti ao curso duas vezes e não me canso de propor para outras amigas e familiares assistirem. É muito bom!
Obrigado pelo estímulo Marli, o curso da Dra Maria Celia é realmente muito bom. Abraços
Ficou bem claro e estimulante!!
Valeu o retorno, abraços