(Na busca de conhecer, compreender e buscar qualidade de vida na fase do envelhecimento, o Ideac assume que não cabem nele propostas religiosas ou de política partidária. Porém, grandes ideias de grandes pensadores são bem-vindas e celebradas com gratidão. Elas nos induzem à reflexão e são capazes de nos tornar seres humanos que envelhecem melhor. Neste ano de 2025, no dia 6 de julho, o líder religioso budista Dalai Lama completou 90 anos, num longo percurso de busca de paz para a humanidade. Uma das sementinhas que ele lançou germinou no coração da psicóloga Yayá de Andrade, brasileira, radicada no Canadá. O texto abaixo é sobre um tema fundamental para o budismo, muito interessante de ser considerado por quem envelhece, e interpretado por Yayá: a humildade)
Por Yayá de Andrade – Psicóloga, voluntária no setor de Segurança e Bem-estar da Cruz Vermelha Canadense, membro da Comissão Sênior de Aconselhamento da prefeitura de Burlington, Ca.
To be or not to be…. Ah… ser ou não ser humilde.
Hoje de manhã me mandaram uma entrevista interessante com Marcelo Gleiser (*) sobre humildade. Como a gente aprende em todas as situações, desde que estejamos com a mente e o coração abertos para o que outros dizem, e mesmo que não concordemos com tudo, podemos descobrir algo importante em que não pensamos antes. Sempre. A partir dessa entrevista, registrei algumas anotações, que quero compartilhar com quem estiver interessado.
Acho impossível o SER humilde, mas TER humildade …já é bem mais fácil. Acho que humildade não é traço genético nem faz parte do DNA; requer maturidade, um olhar permeado de reflexões sobre a vida e suas experiências, para daí conseguirmos desenvolvê-la, aprimorá-la; não é necessariamente algo para chamarmos de “nossa,” mas está aí, pode ser vista, usada, melhorada e admirada.
Eu diria que pode ser uma qualidade, um modelo de vida, com momentos modestos que, entretanto, têm valor e importância; implica em deixar de lado arrogância e orgulho, reconhecendo que o saber significa não saber. Ter humildade implica reconhecer limitações em tudo e todos, e especialmente em nós mesmos, e perceber que não somos superiores a outros, mas apenas diferentes.
Ter humildade não implica em perder o sentido de auto significado e desmerecer o valor de nossas ações, mas nos permite uma perspectiva balanceada. Acho que humildade ajuda a continuarmos a desenvolver e aprender melhor em termos de relacionamentos, de trabalho, de atividades, nos tornarmos abertos a novas ideias, novas aventuras que nos levam a caminhos que não sabíamos antes, entendendo que o importante vai ser que compasso usamos, interno ou de uma bússola. Se praticamos humildades estaremos sempre buscando, sabemos que não sabemos, e descobrimos novas formas de aproveitar a vida.
Ter humildade também envolve aceitar o que não deu certo, o que acabou, sem culpar ou julgar errado ou querer mais, em especial do(s) outro(s). Aprendi muito me relacionando, como profissional da Psicologia especializada em vítimas de violências em geral, com pessoas ao redor do mundo que perderam muito: vi que a vida sempre vai ser como uma gangorra, com perdas e ganhos que podem ser mantidos em balanço, por pouco tempo. Aprendi a não reclamar do que acaba, e saber que todos temos energia se estamos vivos, e quem sabe até vamos ganhar algo, novo, ou algo vai acontecer de novo, sem expectativas, mas com fé no universo que sabemos ser infinito, onde tudo pode acontecer sem a gente planejar ou controlar…. muito.
No mundo que habitamos existem algumas (poucas) pessoas com muita autoridade, liderança e carisma, mas todos nós fazemos parte da história, ocupamos um lugar nela, e é tendo humildade que sabemos da nossa importância.
(*) Marcelo Gleiser, físico e astrônomo brasileiro, professor e pesquisador em universidade norte-americana.
(Foto dalailama.com)






Juntando o que Gleiser disse e Yaya comentou, a palavra maturidade se sobressai quando falamos de humildade. Como disse, é reconhecerclimites, respeitar oscde outros, masxtb se valorizar sem arrogância. Ser humilde não significa nunca, se desqualificar!
Exatamente, o equilíbrio tão difícil de encontrar deve ser a meta. Abraços
Tema essencial para ampliação de nossa consciência humana e sentido da vida! Obrigada!
Obrigado pelo retorno Cleide. É um tema precioso, pena que tão desvalorizado nesses tempos de tanta exposição. Abraços
Qualidade fundamental! Bem colocado!