Suely Tonarque (*)
“Numa noite de Natal! Filho da Virgem Maria, / Para o menino Deus saudar”. (Hino de Reis – Di Paullo e Paulino).
Conheço a folia de Reis desde os cinco anos, Sônia minha irmã quatro – em uma propriedade rural há 21 quilômetros de Rancharia (cidade que nasci), hoje com 29 mil habitantes (2025), no ano de (1956) eram 21 mil habitantes.
Albertino leva os filhos para apresentar Festa/Folia de Reis. Em memória afetiva, tem duas meninas que choram, uma agarrada na outra, cobrem os rostos de medo dos palhaços. Os homens tocam os instrumentos (viola, violão, sanfona, pandeiro, cantam e dançam), as meninas medrosas, além do choro, pedem ao pai para levá-las embora.
No dia 06 de janeiro é comemorado a festa de Reis e tem o significado religioso, pois os Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltazar — levavam presentes: mirra, ouro e incenso ao menino Jesus em Belém, e o encerramento do ciclo natalino. Neste ano de 2026 em janeiro, prestigiei o canto, a dança e curti a boniteza de uma festa de Reis — sem medo, sem choro, apenas com saudades guardadas nas memórias afetivas que nos alimentam —.
Na Fazenda Guapiara (MG), a trinta minutos de Aiuruoca (MG), a festa dos Reis é famosa por história ligada à mineração de ouro e conservação ambiental. Pessoas vindo de carros, motos, charretes — crianças, adolescentes, jovens e os velhos — cantam, dançam e rezam durante duas horas. Fico atenta, participo e percebo a riqueza do envolvimento coletivo — algumas crianças com fantasias, adultos de máscaras e os cantadores de camisetas com os dizeres — “Companhia de Reis da Guapiara”.
Entramos na capela às 14:30 cantando sempre a mesma música. Após todos os protocolos é feito o convite para o almoço — 16 horas. Uma mesa longa, uma fila comprida e uma organização impecável — arroz, tutu de feijão, macarrão, pernil assado, frango assado, farofa, refrigerante, vinho e muita cachaça. A origem da Festa de Reis é ibérica (Portugal e Espanha). Venho embora com minha irmã Duda, Aninha (sobrinha), Wanda (amiga) e Roseli (amiga) todas felizes cantando. A Festa do Santo Reis — Tim Maia “Hoje é o dia do Santo Reis”.
O que nos move na vida são as memórias afetivas, nos alimentam de dois jeitos, ou seja, pelo caminho percorrido e construído que acontece ao nascer e no envelhecimento, quando surge a saudade das emoções vivenciadas com intensidade — isso tudo nos abraça.
(*) Suely Tonarque é psicóloga, gerontóloga e especialista em moda no envelhecer






Me senti no meio da festança tamanho clima anunciado. Parabéns Su
Texto lindo! Parabéns
Obrigada pelo retorno. Abraços
Que linda vivência e folia compartilhada, as culturas, rituais e participaçao efetiva e afetiva nos move e faz nossas emoções aflorarem. Bonito o seu texto Suely.
Aqui tambem festejamos o dia de Reis. Abraco
Os rituais que fazem parte da nossa memória afetiva são inesquecíveis. Abraços
Su nunca fui a uma Festa de Reis. Fiquei encantada com sua descrição destes momentos vividos. A vontade de conhecer se fez presente .
Parabéns
Dá vontade mesmo, não é? Sempre é tempo Marli, programe-se para o próximo ano. Abraços
Eu como Mineira do interior me senti na festa com vc. Lindo texto! Linda proposta: memórias afetivas. Parabéns Su!
Uma festa para todos nós Adriana, abraços
Suas palavras me levaram para essa festa tão linda! E um.privilegio essa diversidade que nosso país oferece em cd região…Despertou vontade de estar junto para participar Obrigada Suely!
Acho que todos sentiram essa vontade Paula, é um texto que envolve pela delicadeza da memória. Abraços
Muito lindas memorias afetivas, uma verdadeira aula de cultura regional que eu não conhecia. Sua forma de escrever é deliciosa de ler!!!
Obrigada Tati, todos temos lindas memórias e Suely nos mostra como valorizá-las. Abraços
Esse dia foi muito prazeroso. Memórias afetivas eu também cultivo, minha infancia na serra do Caparaó foi cercada por ritos e muito folclore. Obrigada Sueli, Siuza e Wanda pela companhia.
Que bom que você tem essas memórias Roseli, é uma bênção. Abraços
Me sinto abraçada por essa festança , com música, dança e a boa comida mineira ! Estou nessas memórias afetivas com você !
Todos juntos com Suely Cleide, nas festas, nas danças, no carinho, na vida. Abraços
Sempre, Suely vai arrebatando as pessoas pelo caminho. Abraços Cleide
Recordar é viver, diz o ditado…
Sim, são as nossas memórias, as nossas histórias, as nossas raízes, valem muito. Abraços