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Conheça um universo de informações para um envelhecimento saudável.

Envelhe(Ser)

Por Suely Tonarque (*)

A beleza é um assunto universal em literatura: “não quero a beleza, quero a identidade”, dizia Clarice Lispector. Shakespeare, Oscar Wilde e muitos outros trataram do assunto direta ou indiretamente. Na música, Vinicius de Moraes, Caetano, Gil e outros também abordaram a beleza.

Ao longo das nossas vidas, nós, humanos, contemplamo-nos no espelho – beleza e tempo não podem ser separados, afinal, a imagem refletida no espelho muda conforme o tempo passa. Além disso, quando falamos do nosso tempo, queremos dizer algo que tem a ver com o período em que vivemos, isto é, o momento histórico que habitamos a terra; a beleza ao longo da história muda e, com isso, a percepção subjetiva do belo.

No cinema popular a beleza é invariavelmente abordada, vemos refletidos nesses filmes aquilo que vivemos como belo cotidianamente; são os valores estéticos da nossa época, condensados num filme. Em “A Branca de Neve”, da Disney, a Rainha Má repete ao espelho várias vezes: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?”, e o espelho entrega as más notícias à rainha (a Branca de Neve é a única mais bela).

E assim vamos, ao longo da vida, olhando no espelho, acompanhando o nosso processo de envelhecimento. Assistimos passivamente às mudanças nos nossos corpos, embora sejamos nós mesmas os sujeitos da história. O tempo vai aos poucos e acabamos nem percebendo as dobras, pregas, pés de galinha, flacidez dos braços etc.

Inúmeras desculpas damos com a finalidade de disfarçar nossa beleza dos 20, 30, 40 e 50; hoje, com 75 anos, continuamos em busca da beleza desaparecida. Esquecemos nessa trajetória que, além da beleza ser uma construção social, o maior bem é a própria vida que segue presente, seja a idade que for. A benção é o envelhecer (preservar a vida), mesmo com as dores, perda de audição, artrite, pressão alta ou baixa, dores na coluna etc.

A sua beleza, construída na sua psique e no seu corpo, porém, segue aí. A beleza é a possibilidade pulsional de viver o cotidiano; a energia vital que no nascimento de cada um de nós estava presente nos dando a vida segue correndo nos nossos corpos, seja na idade que for: cabe a nós vivê-la. Dizia Rita Lee que “envelhecer é uma loucura, não é para maricas”, talvez todos e todas tenham que dar razão para ela nisso, não é mesmo?

O velho Platão também deu a sua opinião: “A beleza está relacionada ao bem, à verdade e à perfeição.”. A beleza e o envelhecimento caminham juntos (ou não, depende da vivência subjetiva de cada ser humano). Depende de aceitar e abraçar o que é vivido, olhar, sentir e refletir sobre o envelhecer em paralelo à beleza.

(*) Suely Tonarque é psicóloga, gerontóloga, escritora e especialista em moda no envelhecer

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Sónia Fuentes
Sónia Fuentes
3 horas atrás

Muito bom Suely
Que possamos ser responsáveis pela beleza de nosso modo de viver. Beijos

Marli Corrales Henriques
Marli Corrales Henriques
2 horas atrás

Su por falar em beleza… seu texto é uma verdadeira beleza!
Contempla sua identidade. Te vejo em cada palavra❤️

Gelsomina Iaccino Petrone
Gelsomina Iaccino Petrone
1 hora atrás

Belo texto Suely.Que possamos admirar não só a beleza exterior mas a do lado de dentro a qualquer tempo.

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