Por Suely Tonarque (*)
Agora é assim: falamos, refletimos e estudamos o assunto do momento. Hoje é o envelhecimento, a velhice. A longevidade, segundo o IBGE, bem como o número de velhos, apresentou um grande crescimento nos últimos anos. A porcentagem de pessoas de 60 anos ou mais é de aproximadamente 15% no nosso país; isso equivale a 30 milhões de pessoas, mais ou menos.
As expectativas são de um novo aumento na longevidade, fazendo com que o percentual de idosos aumentou significativamente. Isso nos mostra que o envelhecimento no Brasil tem crescido rapidamente enquanto a natalidade diminuiu – este é o quadro que se apresenta à nossa frente.
Curiosos são os nomes para o velho: melhor idade, terceira idade, pessoa idosa, senhorzinho e senhorinha etc. Parece que socialmente a velhice é um medo coletivo, hoje disseminado mais do que nunca; nossa sociedade parece tratar o envelhecer do corpo como um assunto a ser varrido para baixo do tapete: “não envelheça!” é o mote dos nossos tempos.
“Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
para abolir minha essência,
mas ele sempre me escuta
e vai pelo rumo oposto”
– “As contradições do Corpo”, Carlos Drummond de Andrade
O poema que evidencia a infalibilidade do corpo lembra do que o psicoterapeuta corporal Alexander Lowen, em seu livro “O Corpo Traído” dedicado à esquizofrenia, demonstra: nosso tempo é marcado pelo horror ao envelhecimento, se faz de tudo com o corpo para que ele se apresente esteticamente e imageticamente adequado dentro de um padrão estético impossível, o de não ficar velho. Os procedimentos estéticos são abundantes, e pouco se fala do que é viver sendo velho. Na verdade, quase não se fala.
Eu me pergunto se pensamos como vestimos esse corpo, você, eu e nós, já paramos para pensar como vestimos o corpo envelhecido? Nós, que envelhecemos, já tomamos consciência das mudanças que acontecem na caminhada do viver; já sentimos, a partir da nossa sensibilidade, as mudanças tão impactantes no nosso manequim (o corpo).
Com 60, 70, 80, ou 90 anos olhar-se no espelho é diferente. Espelho, espelho meu, existe alguém que sente o que sinto nesse corpo meu? A sensação é a de que não existe mercado de roupas para nós.
Mas não tenho dúvida de que é falando e deixando claro que o ideal atual de não envelhecer não pode falar por nós, que teremos mais espaço e seremos mais capazes de construir em conjunto alternativas para um envelhecimento mais vivaz e alegre.
(*) Suely Tonarque é psicóloga, gerontóloga e especialista em moda no envelhecer






Parabéns Suely, seu texto lúcido nos faz pensar que vestir nossos corpos que envelhecem pode e deve ser uma proposta de amor e celebração com nossas histórias. Beijos
Celebrar a vida, o corpo e as nossas histórias, é exatamente isso que conta Maria Eliza. Abraços
Sim… é um tema caro ao seu olhar atento e sei de seu empenho em soluciona-lo. Ótimo texto!
Obrigado pelo retorno Jader. Realmente Suely batalha muito para valorizar, vestir e acolher o corpo mais velho. Abraços
Eu diria que aconchegar nosso corpo é reconhecer a vivacidade e nossas historias de forma carinhosa e lúcida. Parabéns Suely por trazer mais que o conhecimento, tantos insights que nos impelem a repensar. Obrigada
Obrigado pelo retorno Francine, Suely sempre traz boas informações para nosso envelhecer. Abraços
Muito bom o texto. O corpo que temos devemos cuidar com carinho.
Obrigado Ivani pelo retorno. Cada corpo é especial e merece esse cuidado. Abraços
Durante muito tempo, fomos ensinados a acreditar que envelhecer significa acumular doenças e medicamentos.
Mas envelhecer não é uma doença.
Doenças crônicas e polifarmácia podem acompanhar a idade, mas não são um destino inevitável.
Com informação, prevenção e cuidado, é possível construir uma longevidade com mais autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.
O problema nunca foi envelhecer.
O problema foi envelhecer sem acesso às informações certas .
E é uma bênção poder contar com informações sérias que ajudam a viver melhor as novas fases. Abraços
Parabéns Suely Querida!
Seu texto é muito importante para refletirmos questões do nosso envelhecimento . Sua sensibilidade ao expressar suas ideias é incrível
Obrigado pelo retorno Marli. Suely sempre acerta em seus textos. Abraços
Suely sempre assertiva e combatente. Você nos representa com qualidade na sua fala amorosa para o corpo velho ,obrigada amiga !
É o acolhimento que todos precisamos também para o nosso corpo, não é? Abraços Cleide
Querida Suely sempre alinhando bem estar, humor e capacidade de adaptação à velhice com graça e conhecimento. Parabéns
Suely mostra que o vestir tem muitas facetas e muitas embalagens para se viver melhor no envelhecer. Abraços Sonia