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A Conquista

Por Suely Tonarque (*)

Simone de Beauvoir comenta sobre o que socialmente ocorre com a pessoa idosa: “O velho, como uma categoria social, nunca interveio no correr do mundo. Enquanto conserva alguma produtividade, permanece integrado à coletividade e não se distingue dela, é um homem adulto de idade avançada. Quando perde suas capacidades, ele surge como o outro; ele se torna então de forma mais radical que a mulher num objeto puro, ela é necessária para a sociedade, já ele não serve para nada; nem moeda de troca, nem reprodutor, nem produto, ele não é nada mais que um fardo.”

O Estatuto do idoso foi criado frente ao cenário descrito acima pela filósofa como meio para construir uma sociedade mais justa para todos, em especial à pessoa idosa. Foi criado em 2003, instituído pela lei n. 10.741, no dia 1 de outubro. O projeto foi liderado pelo então deputado Paulo Paim com o auxílio de entidades de aposentados e ativistas, após anos de debates.

Hoje, em 2026, depois de 23 anos de luta, algumas pessoas não sabem dessa grande conquista de seus direitos (e deveres); a dimensão de que o Estatuto do Idoso ajudou a garantir uma vida mais digna para os cidadãos e cidadãs de 60 anos ou mais é frequentemente esquecida. Esse conjunto de regulamentos garante direitos básicos como saúde, transporte e justiça especiais ao idoso; é papel da família, da sociedade e do Estado cuidar e respeitar a pessoa idosa, em especial na garantia e ampliação de seus direitos e bem-estar.

Mas afinal, o que é o Estatuto da Pessoa Idosa? É um conjunto de leis que visa proteger a dignidade social do idoso, garantindo para ele dispositivos sociais legitimados e amparados pelo Estado. É importante, por isso mesmo, que cada idoso e idosa tenha em sua casa o Estatuto e que ele seja lido; ao lê-lo, é possível tomar consciência dos próprios direitos e conhecer os dispositivos sociais ofertados. Uma excelente ideia é ler o Estatuto coletivamente, pois isso enriquece a experiência e possibilita trocas em conjunto, estimulando inclusive a formação de redes de apoio.

O movimento de ler o Estatuto pode trazer benefícios não só ao idoso, mas à sociedade; são nas atitudes do dia a dia que as pequenas mudanças se constroem e abrem caminhos às grandes mudanças – ambas só são possíveis em coletividade. A vida do idoso pode ser melhor em termos de bem-estar se ele souber do que lhe é oferecido.

Essa brochura pode ser adquirida na livraria do Senado, em outras livrarias, na Amazon e em livrarias para advogados. Caso se deseje a mídia digital, o texto pode ser baixado de forma gratuita pelo portal do Senado Federal – quem sabe pode ser um presente de Natal ou aniversário também! Indo mais longe, a leitura dos Estatuto pelos familiares pode ser uma opção valiosa, assim a própria família se torna mais consciente (cuidado coletivo em tempos de individualização progressiva e adoecedora).

Atenção especial ao capítulo 5 deve ser tomada: é a sessão da Educação, Cultura e Lazer (artigo 22). Nos currículos de ensino fundamental serão inseridos conteúdos voltados ao processo de envelhecimento, ao respeito e à valorização da pessoa idosa, com a finalidade de eliminar o preconceito e produzir conhecimento sobre o assunto. Essa medida pode auxiliar no combate ao etarismo, sensibilizando os jovens e auxiliando-os a compreender a situação social da pessoa idosa, coisa que acontecerá a todos os viventes.

O essencial é não esquecer nem perder de vista os direitos conquistados, sem, ao mesmo tempo, deixar de olhar para o futuro para lutar por novas conquistas que virão; é necessário não abrir mão do futuro e da esperança.

“Matamos o tempo, o tempo nos enterra” – Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”

(*) Suely Tonarque é psicóloga, gerontóloga, escritora e especialista em moda no envelhecer

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Tatiana
Tatiana
18 horas atrás

Texto muito importante para trazer para a memória a importância desse estattuto. Fundamental para que o texto de Simone de Beauvoir não seja a verdade de hoje! Parabéns Suely!

Aldeci
Aldeci
17 horas atrás

Informação é tudo
Estatudo do idoso na mão, maravilhosa iniciativa .

Marli Corrales Henriques
Marli Corrales Henriques
17 horas atrás

Suely este texto é tão importante! Ele torna claro, direitos que muito pouco temos consciência. Espero que ele seja viralizado. Vou fazer minha parte.

Sónia Fuentes
Sónia Fuentes
16 horas atrás

Muito importante seu texto Suely. Informarções imprescindíveis. Parabéns

LUCY DE ARAUJO
LUCY DE ARAUJO
10 horas atrás

Parabéns, minha amiga, você sempre surpreende com um assunto de grande relevância para nós idosos. Sua recomendação aguça a conhecer e contar com a defesa do “Estatuto do idoso”

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