(*) Dra. Maria Celia de Abreu
É possível ter saudades de um evento que ainda não terminou? Fica estranho… Oras, sentimento não obedece a regras. Então… é possível!
Nesta semana tivemos o quinto dos sete encontros presenciais do Projeto Moradias do Envelhecer, do Ideac. No decorrer desse processo, já conversamos sobre os três primeiros livros propostos; ainda nos falta um. Foram três romances: diferentes em estilo, com pontos em comum: primorosos, do ponto de vista de literatura; publicados recentemente, entre 2010 e 2021; o personagem central mora numa ILPI.
Lentamente, estamos ampliando nossos conceitos sobre diferentes velhices, história de vida, importância do momento histórico/político/econômico sobre o envelhecimento, possibilidades e significados de ILPIs, influência do status financeiro e cultural sobre a vida do velho, valor e tipos de cuidadores, e por aí afora. Possivelmente, estamos aos poucos ressignificando nossas próprias histórias, inclusive a visão de nosso futuro. Levadas pelos romances, assim como pelas contribuições das participantes do grupo, viajamos inesperadamente por searas vizinhas, que vão, por exemplo, da ditadura de Franco até aprender a discriminar uma série de uma minissérie numa plataforma de streaming, passando por declaração antecipada de vontade.
Houve quem decidiu conhecer mais livros dos nossos três autores, bem como livros de outros autores que tratam do mesmo tema de moradia no envelhecer; quem presenteou familiares com os livros e se engajou em conversas animadas com os presenteados; houve até quem conversou pessoalmente com o autor Valter Hugo Mãe, que esteve por aqui divulgando seu livro mais recente, inclusive na Feira Literária de Parathy.
Nosso grupo é pequeno. Já aprendemos nossos nomes e sabemos características de cada participante. Temos liberdade para expressar opiniões mesmo sabendo que não serão unânimes, e para fazer brincadeiras que vão provocar risadas. O tema que debatemos é sério e difícil, mas o clima é leve, divertido e sem punições. Na hora de ir embora, oferecemos caronas. Até já festejamos um aniversário.
Dá para entender minhas saudades antecipadas?
Ainda bem que temos mais um livro para debater e mais duas oportunidades para nos encontrarmos pessoalmente!
Obs:para quem não está a par do Projeto Moradias do Envelhecer: os romances mencionados são Último Olhar de Miguel Sousa Tavares, a máquina de fazer espanhóis de Valter Hugo Mãe, e Tentativas de Fazer Algo na Vida de Hendrik Groen. O próximo livro é Mortais de Atul Gawande.
(*) Dra. Maria Celia de Abreu é psicóloga, escritora e coordenadora do Ideac. Entre vários livros lançou “Velhice, uma nova paisagem”






Projeto lindo.
Maravilhoso. Parabéns
Impossível dar conta de tantas demandas interessantes. Sinto muito, já li os livros menos o primeiro. Imagino a riqueza das reflexões.
É muito especial estar neste projeto de uma riqueza imensa.
Você Maria Célia reproduziu com maestria o clima dos nossos encontros