“Procurava a iluminação mesmo. Mas só cheguei a um pisca-pisca”
Orides Fontela
Por Suely Tonarque (*)
A busca da espiritualidade, o movimento do corpo, a alimentação, a conquista financeira, os relacionamentos familiares, conquistas novas, amigos velhos e amigos novos – tudo isso diz sobre nossos processos de envelhecimento. Atualmente, a moda é o discurso de negação do envelhecer; mas nós podemos, ao contrário, escrever, estudar e aceitar que somos Velhas (a palavra “velho” ou “velha” parece ser um tabu, às vezes).
Os passeios, as programações e excursões de perua Kombi (atualmente é Van), hoje fazem parte das nossas vidas. Fomos todas (as Velhas) para a Feira Literária Internacional em Paraty (FLIP), que acontece há 24 anos e é um dos maiores festivais literários da América Latina. Ela teve seu início a partir da reunião de escritores nacionais e internacionais, com a finalidade de debater e refletir sobre lançamentos de livros. Os autores brasileiros têm sempre espaço e ganham parte dos holofotes e, nesse ano, a filósofa e poetisa Orides Fontela (1940-1998) foi muito comentada.

A festa interna de cada viajante da Kombi conectava o grupo no prazer de experienciar a feira; parecia, em alguns momentos, um sonho que estávamos concretizando aos 60, 65, 70 e 82 anos. Nossos olhos brilhavam ao ver o azul do mar e o sol, que aquecia e iluminava, radiante, nossos dias por lá. Os sorrisos estampados nos nossos rostos não precisavam ser complementados por palavras; as palavras, ao contrário, não dariam conta de expressar o que vivemos e o tempo refletido em cada corpo, em cada face. Kairós (aquilo que não se mede) revela-se no sentir e no viver, ancorado na memória guardada em um lugar secreto que se revela nos gestos.

Assim foram quatro dias simples, caminhando nas ruas de pedras cheias de vida e histórias. A juventude, em paralelo, sonhando, caminhando e dançando, marcava sua presença de forma alegre e vivaz em cada esquina. A juventude enfeitava Paraty (ou Para-todos).
A poesia de Orides Fontela nos abraçou e enfeitiçou de maneiras diversas, nas palavras da autora:
Kairós
Quando pousa
o pássaro
Quando acorda
o espelho
Quando amadurece
a hora
(*) Suely Tonarque é psicóloga, gerontóloga e especialista em moda no envelhecer






“Paraty ou Para todos” que jogo de palavras que denota as décadas de um coletivo vivendo o Agora. A Feira Literária ganhou mais poesia com vocês, obrigada pelo texto e por essa vivacidade que contagia.
Pois é, nada como um bom texto valorizando momentos preciosos. Abraços Francine
Que viagem, que inspiração, velhos que podem, querem e vão aproveitar tudo que seu momento permite. Suely, amei!
Velhos que como você, Tatiana, são exemplos de vitalidade e amor pela vida. Abraços
Que texto belo Suely
Que pena que não puder participar dessa viagem deliciosa de lombo.
Já se prepare para o ano que vem. Abraços Sonia
Que viagem! Foi o presente de 70 anos que me dei e o grupo me presenteou com a acolhida.
Suely você conta muito bem sobre a emoção desta nossa aventura memorável. Parabéns minha querida
E que sorte você ter participado dessa linda aventura Maria Eliza. Abraços
Final de semana inesquecível, muito aprendizado e diversão! Adorei o texto Suely
Um final de semana pode trazer experiências raras, como nos mostrou Suely, não é, Luciana? Abraços
Parabéns pelo texto e lembrança desta viagem donde voltamos com a alma repleta de poesia!
Isso mesmo, uma viagem não só para a literatura, mas para a vida. Abraços Isabel
Que lindo esta descrição repleta de emoção da FLIP.
Fiquei com vontade de estar lá e fazer parte deste grupo de Velhos Alegres!
Já pode ir se preparando para o ano que vem. O grupo vai aumentar. Abraços
Experiências sempre de aprendizado. Todo encontro traz lições para uma boa aluna como você!
Aprendemos diariamente e é essencial manter a curiosidade pelo que nos cerca e mais. Abraços