Nosso Blog

Conheça um universo de informações para um envelhecimento saudável.

O medo e o confronto com o fim da vida

Dra. Yayá de Andrade (*)

Mais uma pessoa querida que me deixa pensando na finitude da vida: Waldo.

A vida de todos tem um fim, na morte. Eu nunca fiz eulogia, mas saber que este amigo, Waldir Bettoi (1949/2026), terminou a jornada da vida dele me deixa triste, com perguntas, todas sem respostas. E fiquei pensando na Sandra, nos amigos que vão estar do lado dela. Será que ele se lembrou das vezes que alguém disse algo positivo e ele sorriu, sem saber que estava agradecendo o afeto, o carinho daquela pessoa?

Será que ele entendeu e gostou das experiências positivas, sem deixar entrar na memória lembranças de situações que causaram sensações difíceis, sofrimento e tristeza? Será que ele deu o último suspiro sabendo que não precisava se preocupar mais com nada nem ninguém e que a vida valeu a pena, apesar dos desafios? Será que ele pensou na tristeza que a ausência dele vai causar, porque queríamos mais um dia, mais um almoço junto, um feriado no sol, um dia de lazer, rindo?

Vou sentir a ausência dele cada vez que olhar uma foto, lembrar de um encontro, ver alguém que se parece com ele. Isso entra no coração e revela nossa vulnerabilidade, o medo que acompanha o confronto com o fim de uma vida. Sei que perdas acontecem todos os dias e mostro simpatia, compaixão, compreensão a todos que sentem essa perda. Vamos ajudar outros e a nós mesmos a tolerar as ondas de tristeza que chegam com a falta dele.

O medo da morte fica adormecido na mente, e quando confrontados com a morte, a inevitabilidade da nossa própria morte vem à tona. Tal trepidação não deve deixar de lado nossa habilidade de aceitar, mesmo sem entender, os mistérios da morte e a passagem final dessa vida.

Vou deixar perguntas de lado, e simplesmente me sentar em silencio, aberta a uma exploração espiritual, sem mapa pra navegar as emoções de luto que chegam de repente, sem ser prescritas como remédio pra dor. Vou prestar atenção nas lembranças, fotos, sonhos, honrando-o, sempre. E vou rever a rotina, agradecer e valorizar experiências que tenho, sabendo que a morte sempre foi e vai continuar sendo inevitável, e não temos como controlar nem evitar essa realidade.

Sem palavras, respiro.

(*) Dra. Yayá de Andrade é graduada em Psicologia no Brasil, e continuou seus estudos no Canadá e Estados Unidos. Atualmente aposentada, é voluntária na Cruz Vermelha Canadense, no setor de Segurança e Bem-estar.

 

(O velório será nesta quinta (05/08) no Cemitério Araçá, em São Paulo, das 9 às 13 horas

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar de
guest

5 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Glaucia Abbud
Glaucia Abbud
5 horas atrás

Muito boa essa reflexão sobre o luto e a tristeza de ver nossos amigos partirem! E sempre pensando na nossa própria partida!!!
Parabéns!

Cleide Martins
Cleide Martins
5 horas atrás

Muito oportuna, necessária e delicada essa reflexão sobre a nossa incapacidade de lidar com a morte de entes queridos. Obrigada, Yaya.

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Está gostando? Compartilhe.

Categorias

Posts mais visualizados

Newsletter

Cadastre-se em nossa newsletter: