O amor tem idade? Segundo a psicóloga, Valmari Cristina Aranha Toscano, membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a resposta é não.
Ela explica que é possível se interessar e querer viver com uma pessoa, independentemente da idade, sendo que essa decisão depende muito mais do interesse do casal em criar esse vínculo e das condições atuais de vida. “O que sabemos é que o amor acontece de maneiras diferentes em cada etapa das nossas vidas e essa questão de se relacionar afetivamente na velhice é importante, pois faz a pessoa se sentir viva e socialmente inserida.”
Valmari comenta que o “estar” em uma relação também melhora o autocuidado da pessoa idosa, que passa a ter mais vontade de viver e deseja experimentar novas situações com o par. De acordo com a psicóloga, a autoestima também melhora quando se está em um relacionamento saudável, principalmente depois dos 60 anos, quando os “protocolos” acabam. “Com o aumento da expectativa de vida, esses relacionamentos podem ser muito melhores, qualitativamente falando, depois de uma certa experiência de vida”, diz.
Diferenças
Relacionar-se aos 30, 40, 50 e após os 60 anos é diferente. Diferenças essas mais condicionadas às características de personalidade, ao meio social e cultural que essas pessoas estão inseridas. Segundo Valmari, um ponto que chama a atenção é que ocorreram mudanças significativas na forma que as pessoas se relacionam. Hoje, por exemplo, é comum que pessoas com 30 e 40 anos tenham filhos nessa fase, já as de 50 e 60 anos têm uma história de vida já construída, com hábitos e experiências. “Hoje, aos 60 anos, muitas pessoas estão bem física e cognitivamente, sentindo-se com a autoestima preservada, aptos a uma vida sexual importante e saudável. Sendo assim, elas têm a oportunidade de terem relações mais saudáveis do que tinham as pessoas de 60 anos há poucos anos”, relata a psicóloga, ao comentar que a família tem um papel diferente na relação das pessoas, independentemente da idade. “A interferência dos familiares é diferente em relação às faixas-etárias. No caso da pessoa idosa, a família pode tentar tratá-la com uma pessoa inexperiente e acabar interferindo, às vezes, de maneira negativa, tentando protegê-la.”
Essa “proteção” muitas vezes adoece a pessoa idosa, fazendo com que ela não conte sobre os seus relacionamentos e passe a viver uma relação escondida. Segundo Valmari, o tabu em relação à sexualidade ainda é grande. Afinal, para muitas pessoas é difícil imaginar seus pais ou avós namorando com outras pessoas. “É comum imaginar a velhice de uma maneira mais ‘sagrada’ e até mesmo assexuada, por isso a estranheza. Então, é preciso saber se essa proteção faz sentido realmente ou se é dificuldade em aceitar essa nova relação por ciúme”, relata, ao afirmar que quando um filho não aceita esse relacionamento, ele precisa, sim, ser escutado para saber se o motivo faz sentido. “O famoso ‘Porque não?’, não pode ser levado em consideração.”
Proteção
Proteger-se também faz parte. O risco de ser traído, preterido e explorado existe em qualquer faixa-etária. Para evitar cair em uma “cilada afetiva”, Valmari orienta a pessoa a cuidar de sua autoestima, olhando para o par sem tantas idealizações e não aceitar qualquer relacionamento para não ficar sozinho. “Existem muitas formas de se espantar a solidão e ter companhia, buscando convívio social com pessoas que não sejam tóxicas e que permitam relações saudáveis e que venham para agregar.”






Valmari, muito bom ler esse texto, possibilidades do Amar se faz presente e alertar sempre para o cuidado com relações tóxicas, um bom lembrete. Eu diria ainda que #soltar as amarras# acontece pela vivência, autoconhecimento e valorizar cada vez mais o aprendizado continuo qusnto ao autocuidado. Obrigads. Abraço.
Exatamente, o cuidado deve estar presente, mas a liberdade de ser feliz é uma escolha que faz parte também do envelhecer. Abraços
Quanta verdade muito bem descrita. Todas nuances são levadas em conta, muito bom
Obrigado pelo retorno Tatiana, sempre é bom refletir sobre esse tema que ainda não é falado com naturalidade. Abraços
Excelente análise de uma questão ainda considerada tabu e sem espaço no ambiente “sagrado”. Pois, os velhos não transam mais produzir filhos e o prazer é pecado ! Triste compreensão do que é o sagrado !
Pois é Cleide, ainda é realmente uma questão difícil, principalmente para os filhos e netos, mas os mais velhos têm todo o direito de procurar a felicidade e, como alerta o texto, com segurança. Abraços
Muito bem colocado!
Acabei de assistir O Último Azul que aborda a conquista da liberdade, do sonho…ainda que na velhice. Permitir o amor é, acompanhando o texto, um ato libertador.
O filme tem sido muito elogiado e que bom que você ligou com o nosso texto. Há muito preconceito e medo em namorar e se apaixonar no envelhecer, por isso é importante falarmos sobre o tema. Abraços
Texto muito valioso.Que possamos exercer tudo o que tivermos desejo com liberdade de escolha.
Exatamente, a liberdade e o amor não têm idade. Abraços
Texto rico.
Parabéns
Obrigado Suely, você é nossa parceira mensal com ótimos textos também. Abraços
Excelente texto . É necessário divulgar , falar e expor mais sobre este assunto tão polêmico.
Verdade Célia, é sempre importante falar sobre esse tema porque ele ainda envolve muitos preconceitos. Abraços
Gostei do texto, coloca de forma clara o tapu que sentimos com relação ao namoro na velhice. Mesmo nós senhoras com 60, 70 ou 80 anos, temos o direito de procurar um namorado? Acredito que nem todas sente-se livre para tanto. Falar , escrever ler textos como esse, nos liberta! Parabéns!
Que bom que o texto trouxe reflexões. As velhices são diferentes e o importante é a pessoa ter segurança em suas escolhas. A felicidade não tem idade. Abraços
Lúcido e amoroso esse texto. Amei !
Pois é, é importante dar espaço para o amor, para a felicidade e para a liberdade, com os cuidados necessários em qualquer idade. Abraços
Parabéns Suely, este é um tema muitas vezes deixado de lado. Os preconceitos também estão presentes. Mas tratá-lo é fundamental!
Adorei
Olá Marli, o texto não é da Suely, mas os parabéns aceitamos sempre, abraços
Que texto delicioso. Uma escrota fluida de um raciocínio super bem estruturado possibilitando o amor na velhice. Amei
Obrigado pelo retorno Maria Eliza, abraços.
Sempre a tempo para o amor! Concordo com Valmari
Importante se permitir.
Belo texto Su querida!