Por Ivani Cardoso
Quando você está vivendo tempos estranhos em que a confiança no ser humano e nas instituições parece perdida e que o desalento cobre nossa alma, vem uma luz para mostrar que há esperança e que ainda é possível confiar, amar e abrir nossos olhos para a delicadeza.
Quando eu comecei a assistir ao filme “Aos olhos de Ernesto” (2019), um drama escrito por Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, e que fez parte do Grupo de Reflexões do Ideac, carinhosamente chamado Pantufas de Ouro, eu senti uma ternura enorme me invadir e as lágrimas surfavam vertiginosamente modificando o enredo dos meus sentimentos tão sombrios e desconfortáveis.
Agradeço à nossa amiga querida Suely Tonarque a indicação do filme. O enredo é simples, pelo menos é o que traz a sinopse: um velho fotógrafo uruguaio que mora sozinho, preso às lembranças do passado e perdendo a visão de um mundo que já não interessa mais encontra uma jovem cuidadora de cães. Sim, é isso e muito mais…
Os excelentes atores Jorge Bolani e Gabriela Poester, são Ernesto e Bia. Uma amizade improvável de duas pessoas solitárias e carentes. Ernesto baila com suas perdas e Bia transgride porque acha que não tem mais nada a perder. Ernesto não enxerga, mas confia, mesmo quando Bia mostra dá todos os motivos para não merecer. Bia enxerga, mas os olhos estão embaçados por uma história de abandono e violência.
Triste? Não, é um filme rico e profundo, com momentos muito engraçados como os embates com o vizinho Javier. E há o filho Ramiro, que se preocupa com pai, mesmo à distância. Eles não falam do que sentem, mas está tudo lá guardado.
E ainda tem o detalhe da música e da poesia que compõem os contornos de uma narrativa mágica. A tempo: Bia lê e escreve cartas em nome do amigo para uma amiga/amor do passado e nesses momentos o escuro tem luz, tem pausas, tem um carinho infinito.
O ser humano alarga seus horizontes quando se abre para o sonho, para a música, para a amizade e para possibilidades que considerava perdidas. O envelhecer é tratado com maestria nessa montagem que foi exibida na Mostra de Cinema de São Paulo, no Festival do Rio, e ganhou vários e merecidos prêmios.
O melhor é que você pode assistir gratuitamente, em sua casa, pelo Youtube. Não vou escrever mais para não dar spoiler, mas minha vontade é sair espalhando para todos. Quem sabe alguém acorde para construir novos caminhos e preencher aqueles pequenos vazios que inquietam nosso cotidiano.
Para conferir:






Como vc escreve lindamente Ivani.
Deu vontade de assistir novamente.
Bjbj
Ivan, como sempre eu me encanto com sua escrita. Parabéns! Assisti o filme e gostei muito. Você deu o toque que faltava. Bjs
Excelente Ivani. Um filme e um texto adorável
Adorei Ivani, sua escrita traz a poesia de sua alma!
Parabéns!
Ivani sua escrita chega para mim que assisti, como um doce e afetuoso abraço dizendo, ei desperte, sempre há tempo, sempre é tempo.