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As estações do ano

 

Ezio Okamura (*)

Outono
A sensação de calor extremo vai passando. Por vezes, parece que o calor cede gradativamente. Há também altos e baixos entre as temperaturas mais altas e as mais suaves.
De qualquer forma, o amarelo esmaecido vai tomando conta da vegetação. Não sei donde o vento vem, mas balança os galhos mais tenros das árvores, arvoredos e arbustos. As folhas, algumas avermelhadas, começam a cair. De repente, o chão está forrado de castanho a vinho.
Não há mais flores silvestres ou frutas – figo, amora, morango, framboesa, mirtilo ou cereja.
Sinto certa nostalgia nesta época. É o ocaso da vida?

Inverno
Já pouco se veem mulheres com roupas vaporosas ou homens de mangas curtas e bermudas.
Gradativamente ou de repente, sente-se mais fresco (como se diz por aqui…). Não se veem mais folhas nas árvores; muitos galhos acinzentados que logo se tornarão negros.
Não tenho especial gosto por essa estação. Aos poucos, tenho que substituir camisetas de mangas curtas pelas de mangas longas e pelas camisas de flanela. Quando faz frio mesmo, preciso vestir-me por camadas – na mais externa, casaco acolchoado.
Haja cobertores e edredons, além de aquecedor. E ainda: é a época mais chuvosa… Este ano até que nevou pouco.
Há poucas pessoas nas esplanadas das pastelarias. As portas estão fechadas, mas veem-se as placas onde se pode ler “ABERTO”. O ambiente interno é agradável, às vezes quente. Pessoas tomam, com tempo, sossegadamente, seu café curto ou cheio, com ou sem pingo. Conversam, leem jornais ou estão cada uma no seu telemóvel. Não há pressa. As empregadas de mesa não pressionam os clientes. Bem, não o fazem seja qual for a estação do ano.
Não há como tomar gelados, simplesmente não são comercializados nessa época do ano. Há, às vezes, nos supermercados.
Nas áreas externas das casas, veem-se organizadas e protegidas pilhas de lenha que vão diminuindo aos poucos, devagarzinho. As chaminés justificam sua função até quase a metade de cada manhã.
Não há mais ciclistas ou grupos com suas motas. Os autocarros com os migrantes já devem ter chegado de volta ao seu destino.

Primavera
Devagarinho, a vegetação começa a dar o ar da sua graça: arbustos e árvores começam a se vestir. Ao início, o amarelo esmaecido vai dando lugar a um tom mais forte, até ser substituído por verde vibrante. Nessa altura, as vestimentas estão completas em seus corpos.
Nas ervas, mais rente ao chão, há flores de variadas cores, alegres. Chamam-me tanta atenção que me arrisco a compor um buquezinho. Minha mulher diz que alegra a casa.
Desde o intermezzo desta estação, até o final da seguinte, há frutas de variadas espécies.
É comum as pessoas trocarem com os vizinhos e amigos bocados de mirtilo, amora ou cereja.
Figos aparecem nos supermercados, mas em algumas semanas desaparecem. Gosto deles, especialmente os apanhados nas minhas caminhadas na ciclovia. Há até uma figueira preferida onde paro para colher…
Este foi o segundo ano da florada da roseira que cuido. Preocupei-me com algumas folhas que apresentavam machas escuras, mas tratei-as com um antídoto caseiro, pesquisado na IA. Funcionou.
Neste ano, as hortênsias que plantei (e depois transplantei de lugar) estão uma beleza, com cores muito suaves.
Ia-me esquecendo…também neste ano, comi com uma alegria quase infantil, um bocadinho de espinafre que cuidei lá no terreno de casa.

Verão
A sensação de calor extremo vai chegando. No máximo dele, parece torrar as folhas das árvores. Aos abafados dos dias podem se seguir noites mais frescas. De qualquer forma, o verde vigoroso da vegetação pode dar lugar a sequidão de grande parte dela.
Tomara que não vente forte muitos dias, pois um incêndio pode propagar-se rapidamente destruindo áreas com plantações produtivas, pastos com cabras e carneiros e mesmo pequenos vilarejos inteiros, apesar dos esforços dos sapadores e bombeiros bem equipados (que se iniciam, por aqui, na formação, voluntariando-se).
Crianças e jovens estão de férias. Onde estão eles? Em casa mesmo, em colônias de férias ou viajando com os pais.
Migrantes chegam da França, Luxemburgo ou Alemanha. Alguns de seus filhos pequenos fazem a alegria dos avós que permanecem por aqui
Aproveitam o tempo para ir a outros lugares como o Algarve ou para inspecionar casas que mandam construir para morarem no futuro.
Com a chegada deles, as pastelarias e restaurantes lotam, os supermercados aumentam suas vendas e as festas típicas sazonais são concorridas e alegres.
Motociclistas passam velozes; há os que dão uma paradinha para tomarem café ou se refazerem e tirarem fotos
Há muito mais movimentos nesta estação e… assim, a vida toma conta de tudo.

(*) Ezio Okamura é psicólogo e atualmente mora em Portugal

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Tatiana
Tatiana
8 horas atrás

Ezio, dá para sentir vc sentindo frio ou calor, dá quase para “ver” o que acontece em cada estação. Que escrito lindo, palatável, inspirador! Continue!

Sónia Fuentes
Sónia Fuentes
7 horas atrás

Uma verdadeira poesia seu lindo texto Ezio. Parabéns e bons ventos continuem a embalar suas narrativas lusitanas de um país que tenho muito carinho.

Maria Lucia Di Giovanni
Maria Lucia Di Giovanni
4 horas atrás

Oi Ezio, gostei muito do seu texto. As emoções de um ano… que bom constatar assim que a vida aí em Portugal está sendo vivida com sensibilidade e afeto. Parabéns!
Um forte abraço.

Cleide Martins
Cleide Martins
3 horas atrás

Ezio , que poesia em seu texto . Muita sensibilidade e vontade de correr aí para curtir seu jardim e horta . Amei viajar pelas estações de Portugal,

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